Atividades

Reforma curricular e valorização cultural: alunos da EBC Farol aprendem língua portuguesa através de uma feira gastronómica

DÍLI, 10 de outubro de 2026 — No âmbito da implementação da reforma curricular do terceiro ciclo do ensino básico, os alunos do 7.º ano da Escola Básica Central (EBC) Farol realizaram, no dia 10 de outubro, uma Feira Gastronómica de Tradição Familiar, integrada num projeto da disciplina de Língua Portuguesa, desenvolvido durante o terceiro período letivo e envolvendo cinco turmas.

A iniciativa constitui um exemplo de aplicação prática das novas orientações pedagógicas do Currículo Nacional de Base para o Terceiro Ciclo do Ensino Básico, cuja implementação teve início no ano escolar de 2026, começando pelo 7.º ano. A reforma, enquadrada nas políticas educativas do IX Governo Constitucional, procura promover uma aprendizagem mais participativa, desenvolver competências essenciais e valorizar a identidade e a cultura timorenses.

Orientada pela docente e formadora de Língua Portuguesa, Rosa Maria Saldanha, a atividade contou também com a colaboração de três estagiárias da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), Esperança, Ligete e Carlota. O projeto teve como referência as Lições n.º 23 e 29 do manual escolar do 7.º ano, permitindo aos alunos aplicar os conteúdos aprendidos em situações concretas do quotidiano.

O trabalho desenvolveu-se em três fases. Na primeira, os alunos pesquisaram receitas tradicionais das suas famílias e elaboraram textos instrucionais, identificando os ingredientes e descrevendo os procedimentos de preparação. Na segunda fase, organizaram-se em grupos para preparar os pratos nas respetivas residências. Na terceira fase, apresentaram os alimentos na escola e explicaram, em língua portuguesa, os seus nomes, ingredientes e modos de preparação.

Entre as propostas apresentadas destacaram-se a salada de fruta gelada, os pudins de café e de laranja, o chá de moringa, o chá de gengibre, o piri-piri com folha de mandioca, o inhame cozido com erva-cidreira e canela, as preparações à base de algas marinhas, o arroz refogado, a tradicional katupa, as saladas de atum e de ovos, bem como o piri-piri com esparetas secas.

A docente Rosa Maria Saldanha manifestou grande satisfação com a estratégia pedagógica adotada, considerando-a inovadora em relação às práticas que conhecia do currículo anterior e mais adequada às necessidades de aprendizagem das crianças. A abordagem permite que os alunos assumam um papel ativo na construção dos seus conhecimentos, aprendendo através da pesquisa, da experimentação, da colaboração e da aplicação prática dos conteúdos escolares.

A atividade evidencia, assim, a forma como a reforma curricular pode traduzir-se em experiências concretas de aprendizagem na sala de aula e na comunidade escolar. Em vez de se limitarem à aquisição teórica de conhecimentos, os alunos são incentivados a investigar, produzir, comunicar e resolver tarefas em contextos próximos da sua realidade.

No domínio da Língua Portuguesa, a pesquisa e a redação das receitas contribuíram para o desenvolvimento das competências de compreensão e expressão escrita, enquanto a identificação dos ingredientes e a descrição dos procedimentos permitiram ampliar o vocabulário. A apresentação dos pratos favoreceu igualmente a expressão oral, a organização das ideias e a capacidade de comunicar com clareza.

Para além das aprendizagens linguísticas, o projeto promoveu o trabalho colaborativo e a valorização dos conhecimentos transmitidos no seio das famílias. Ao integrar a gastronomia tradicional no processo de ensino e aprendizagem, a EBC Farol demonstrou como a inovação pedagógica pode caminhar lado a lado com a preservação da identidade cultural timorense.

A experiência constitui um exemplo de como as orientações da reforma curricular do ensino básico podem ser concretizadas através de atividades participativas, contextualizadas e significativas para os alunos, reforçando a ligação entre a escola, a família e a comunidade.